Dizem-nos que o amor é entrega, mas ninguém nos avisa que, sem limites, a entrega transforma-se em anulação. Durante muito tempo, caminhei descalça em terrenos que exigiam postura. Suavizei o caminho para os outros enquanto os meus pés sangravam no silêncio da minha própria negligência.
Eu acreditava que ser “compreensiva” era a minha maior virtude, quando na verdade era apenas a minha forma mais profunda de autoabandono. – e isso afastava-me da minha verdadeira essência.
Foi preciso aprender a não me perder
A Ilusão da “Boa Mulher”
A “boazinha” não é necessariamente boa para si mesma. Ela é apenas conveniente para os outros.
Vivi anos a explicar-me demais, a tentar ser validada por olhares que nunca teriam a profundidade necessária para ver-me verdadeiramente e para lá do óbvio. Quando nos perdemos para caber na vida de alguém, o que sobra de nós é apenas um eco de carência disfarçado de altruísmo. O problema nunca foi a tua sensibilidade; foi a falta de um calçado que protegesse a tua alma.
O Despertar da Postura
O ponto de ruptura e viragem, não é um grito…
É uma decisão silenciosa. É o momento em que percebes que tanto a tua energia como o teu tempo, são os recursos mais caros e preciosos que possuis, e que nem todos têm o “bilhete” para aceder a ela.
Calçar o salto alto emocional, na selva das relações modernas, significa parar de suavizar o terreno para quem não quer caminhar ao teu lado.
Significa que precisas de entender, que a tua postura, ensina ao mundo a como tratar-te.
Conclusão Transformacional
Aprender a não me perder, não é sobre endurecer o coração — é sobre refinar a presença.
Continuo amorosa, mas agora sou seletiva. Continuo intensa, mas agora sou regente.
A mudança começa, quando tu mudas o ponto, a partir do qual aceitas ser tratada.
Uma jornada em que Deixas de ser conveniente e passas a ser consciente.
A “Boazinha” quer ser amada por todos. A “Regente” escolhe amar-se a si mesma primeiro, custe o que custar, e isto não é egoísmo, é luxo emocional para quem viveu a perder-se de si mesma, em prol dos outros.
A “Boazinha” suaviza o caminho para os outros. A “Regente” calça o salto e define o ritmo da caminhada.
Talvez não precises de endurecer; talvez precises apenas, de parar de te autoabandonar.
O fim do autoabandono chega quando páras de te desculpar por existires, e a selva que te rodeia, passa a respeitar-te, só pela postura e energia que transmites
Perdes a identidade, perdes a liberdade,
& uma Regente assume o seu lugar, assume o seu poder pessoal, cria o seu próprio reino, habitando a si mesma, aprendendo a não se perder mais, seja de si mesma ou do seu caminho!
Com Amor e Ousadia,
Vanda Roberto













